A Neura!

Hoje acordei assim! Com uma neura daquelas em que não nos apetece fazer nada do que é suposto. As rotinas matinais foram as mesmas. Preparámos os meninos para a escola e fomos levá-los. Regresso a casa e começo a preparar o pequeno almoço. Quem me conhece bem, sabe que o pequeno-almoço é o meu momento zen do dia. Mas hoje nem para isso tinha disposição.

A mente já divagava pela “caixa do nada”. Mas pior do que não me apetecer fazer nada do que estava previsto, foi não me apetecer NÃO fazer nada. Sensação de inutilidade, sei lá. Ao mesmo tempo, também não me sentia motivada para nada em concreto.

Comparo isto àqueles dias em que temos um desconsolo qualquer em relação à comida. Começamos por dizer… “Hummm! Apetecia-me qualquer coisa!”. Mas no fundo não fazemos ideia do que nos apetece. Sabem do que falo? Vamos aos doces e não é aquilo. Tentamos os salgados e NADA! Já num misto de desespero e espírito aventureiro, arriscamos misturas gastronómicas que até temos vergonha de partilhar. E… mesmo assim… NADA!

Estar com a neura é isto: um nada preenchido, complexo e indecifrável, onde nos dispomos a fazer “coisas” na esperança de mudarmos o nosso estado de humor.

Olho lá para fora e penso: “Ainda se estivesse bom tempo!” Mas não! Por aqui o Inverno decidiu relembrar a sua força e fez do frio, da chuva e do vento as suas armas. Só me restava uma de duas opções: aceitar este estado e esperar por outro dia mais “iluminado”, ou mostrar as minhas armas a este inverno que decidiu reaparecer em força dentro e fora da minha cabeça. Optei pela segunda!

Organizei e adiantei trabalho mais urgente. De seguida, aproveitei o conselho da minha prima LC, que tão bem me conhece, e fui apanhar ar (ou ventania). Como já me tinha comprometido em falar de um tema hoje, alterei um pouco os planos. Assim, enquanto desabafo convosco, faço por encontrar na escrita algumas soluções para a minha neura. Escrever ajuda-me SEMPRE a ver a melhor perspectiva de tudo. Tenho esperança, que vos possa ajudar com esta minha partilha.

Aqui estou! A escrever este texto enquanto faço uma viagem de 30 min. de autocarro até ao meu destino.

O meu lado mais pragmático, sabe que este estado em que me encontro é necessário. Não gosto de me sentir assim, mas o meu conhecimento e experiência validam a importância do NADA ou do VAZIO, que muitas vezes se mascara de NEURA.

Vou falar-vos um pouco disso:

É neste registo de tela em branco que reconhecemos o Vazio como estado repleto de potencial. Sim, o Vazio é pleno de VALOR. É nesse momento que sugiro a seguinte reflexão:

“Em que medida sentir um vazio pode ser uma oportunidade para mim?”

Verdade, que este estado de neura, muitas vezes, é acompanhado de sentimentos de vitimização, carência, perda, falta, inutilidade, incapacidade, negridão, pessimismo, morte, fraqueza, inadequação… Este é o momento em que aprender a respirar e aprender a estar na “caixa do nada” são as prioridades. Libertar a mente, estar em silêncio e manter o foco no vazio.

É assim que criamos as condições necessárias para que no VAZIO, surja aquela ideia, aquele insight… aquela INSPIRAÇÃO que vai preencher todo o nosso interior com a mais elevada das vibrações: o OTIMISMO. 

Como fazem vocês quando estão com a Neura?

Marta Pica Rodrigues

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March 28, 2019